segunda-feira, 16 de março de 2026

Resenha de Madeirames, por Fernando Andrade


Livro de contos, Madeirames, aprendiz de marceneiro, coleta afetos em pedaços de madeira. 



Quem vem lá, são os da Zona Sul, com seus dotes, malotes, não compreendem as mundanidades de um lugar para lá da Zona Norte.  A humanidade des-carecida do povo endinheirado das zonas francas do Leblon, carecem da ternura de um tio que vem de Portugal, desprotegido de afeto, e cuidados, de adolescentes que inventam ficções sobre menstruações, de sonhos de crianças para levantar casas de madeira em cima de árvores, mitologia secular ou fabular da civilidade ou transgressão quando os pés não tocam mais o chão. Marcos Aquino no seu novo livro de contos, Madeirames, Patuá, nos faz como marceneiros, maneiros,  que acolhem achas e achados sobre amadurecimento em pedaços de poética artesanato, onde a pipa os estilingues são artefatos da criação e imaginação do homem; da mulher em formação. Trabalhando a palavra entre o formal e o poético,  cria todo um imaginário sobre pertencimentos cujo lar não é propriedade, não é meritocracia. São lastros, memórias que melodias não desafinam, músicos procuram suas bandas por lá. Livro para juntar figurinhas nas entrelinhas da vida.


Fernando Andrade, 56 anos, é jornalista, escritor, poeta e crítico literário. Colabora na revista Literatura & Fechadura com resenhas e entrevistas com autores. Tem publicados pela editora Oito e Meio dois livros: Lacan por Câmeras Cinematográficas e Poememoetria. Pela Litteralux possui seis livros, a saber: A perpetuação de espécie, poemas; Logaritmosentido, contos; Interstícios, poemas; A janela é uma transversalidade do corpo, contos; Se a vida fosse um vinil, poemas, e Cânticos para enlouquecer Cristo, idem.

Nenhum comentário: